Existe uma fotografia de casamento que talvez não receba muitos comentários quando é publicada no Instagram.
Os noivos no centro. Os pais ao lado. Todo mundo olhando para a câmera.
Simples.
Daqui a trinta anos, porém, essa fotografia pode ter um peso completamente diferente.
Por isso, apesar de trabalhar com uma abordagem muito documental, nunca enxerguei as fotografias familiares como uma obrigação ultrapassada do casamento. Algumas delas têm um valor que só entendemos com o passar do tempo.
O problema não está em fazê-las.
A dificuldade começa quando ninguém decidiu antes quais fotografias realmente importam.
A cerimônia termina, alguém chama os pais, uma tia pede uma foto, aparece um primo, alguém lembra dos padrinhos, o avô já foi para a recepção e, quando percebemos, o casal está há quarenta minutos diante do altar fazendo combinações.
Por isso, não precisa ser assim.
Fotografia documental também pode ter fotos tradicionais
Ainda assim, existe certa confusão sobre esse assunto.
Quando um casal procura fotografia documental de casamento, às vezes imagina que absolutamente nenhuma fotografia será dirigida.
Na prática, não é isso que proponho no meu trabalho.
Durante a maior parte do casamento, prefiro observar e antecipar.
Na cerimônia, interfiro o mínimo possível. Quero perceber a reação do pai, a troca de olhares, o abraço depois da aliança, a emoção de quem está sentado nos primeiros bancos.
Mas existem fotografias que merecem alguns minutos de organização.
Nesse caso, os retratos com a família são um bom exemplo.
O importante, porém, é não deixar que eles dominem a experiência.

Quais fotos de família são realmente importantes?
Não existe uma lista universal.
Afinal, cada família possui sua própria história.
Ainda assim, para a maioria dos casamentos, eu começaria por um núcleo bastante simples.
Noivos com os pais da noiva
Entre elas, está uma das fotografias mais importantes.
Eu normalmente faria pelo menos uma imagem dos três — ou do núcleo familiar correspondente — e outra incluindo o noivo.
Noivos com os pais do noivo
Da mesma forma, o princípio vale para a família dele.
Noivos com todos os pais
Quando a configuração familiar permite, é uma fotografia clássica que costuma funcionar muito bem no álbum.
Noivos com irmãos
Irmãos e respectivos cônjuges ou filhos podem entrar em uma única combinação.
Por isso, não precisamos necessariamente produzir inúmeras variações individuais.
Noivos com os avós
Nesse ponto, eu faria questão de parar.
Especialmente quando existem avós presentes.
Não porque seja protocolo.
Porque o tempo muda o valor dessa fotografia.
Noivos com a família imediata de cada lado
Pais, irmãos, cunhados, sobrinhos e avós, dependendo da configuração familiar.
Assim, essas duas fotografias maiores costumam resolver boa parte daquilo que as famílias esperam ter registrado.
Desse modo, esse núcleo já cobre muitas das combinações tradicionalmente recomendadas para fotografias familiares de casamento.

E as famílias que não seguem essa configuração?
Por esse motivo, não gosto de entregar simplesmente um checklist pronto.
Famílias reais são mais complexas.
Existem pais separados.
Padrastos e madrastas.
Avós que criaram os netos.
Irmãos de consideração.
Famílias recompostas.
Pessoas que possuem enorme importância afetiva e nenhum parentesco biológico.
Além disso, existem relações delicadas.
Um fotógrafo não tem como descobrir tudo isso olhando para as pessoas depois da cerimônia.
Por isso, uma conversa anterior ao casamento é tão importante.
Não preciso conhecer detalhes íntimos. Preciso apenas saber quem é importante e se existe alguma configuração que devemos tratar com cuidado.
Assim, evitamos constrangimentos no dia.
Precisamos fotografar todos os padrinhos individualmente?
Em geral, não.
Em um casamento com dez casais de padrinhos, imagine fazer:
noiva com cada madrinha;
noivo com cada padrinho;
casal com cada casal;
todos juntos;
homens juntos;
mulheres juntas.
Como resultado, criamos rapidamente dezenas de fotografias.
Se essas imagens possuem significado para vocês, podemos fazê-las.
No entanto, não deveriam existir apenas porque alguém disse que “tem que ter”.
Para muitos casais, três fotografias resolvem muito bem:
noivos com todos os padrinhos;
noiva com madrinhas;
noivo com padrinhos.
Depois disso, a própria festa oferece oportunidades muito mais espontâneas de fotografar essas pessoas.
Além disso, muitas vezes são justamente essas imagens que melhor representam a amizade.
E tios, primos e família extensa?
Nesse ponto, eu usaria uma pergunta simples:
Se essa fotografia não existisse, vocês sentiriam falta?
Com uma resposta afirmativa, ela entra na lista.
Em caso de dúvida, conversem com ela antes: “acho que minha mãe vai querer”, conversem com ela antes.
Por exemplo, uma fotografia com toda a família materna ou paterna pode ser muito importante, especialmente quando parentes vieram de outras cidades e raramente estão reunidos.
O que eu evitaria é criar uma sequência enorme de pequenas combinações:
agora só os tios;
agora os primos;
agora os primos com os tios;
agora apenas a família da mãe;
agora só as mulheres.
Cada nova combinação parece levar poucos segundos. Na prática, o tempo se acumula rapidamente. Especialistas em planejamento fotográfico recomendam justamente manter uma lista objetiva e acrescentar tempo ao cronograma à medida que novas combinações entram.
Quantas combinações eu recomendaria?
Por isso, prefiro pensar em prioridade, não em um número rígido.
Começaria com as fotografias que vocês não aceitariam perder.
Em seguida, acrescentaria algumas que gostariam de ter.
Assim, uma lista com algo próximo de dez a quinze configurações bem pensadas já atende muitas famílias. Há fotógrafos que trabalham exatamente nessa faixa para manter a sessão eficiente.
Se a família for grande ou possuir configurações específicas, reservamos mais tempo.
O importante, portanto, é saber disso antes.
Quanto tempo reservar para as fotos de família?
Para famílias menores, com todos presentes e uma lista organizada, cerca de vinte minutos pode ser suficiente. Uma referência especializada em planejamento de casamentos utiliza justamente essa estimativa para pais, irmãos e avós, acrescentando tempo quando entram grupos maiores.
Já em outros casamentos, precisaremos de trinta minutos.
O tamanho da lista importa, mas existe algo que influencia ainda mais:
as pessoas estarem no lugar certo.
Fotografar seis pessoas pode levar trinta segundos.
Encontrar uma dessas seis pessoas no salão pode levar cinco minutos.
Por isso, organização faz tanta diferença.
O segredo é avisar a família antes
Em resumo, esta talvez seja a orientação mais simples deste artigo.
Se os retratos acontecerão imediatamente depois da cerimônia, avise previamente quem precisa permanecer.
Algo como:
“Depois da cerimônia vamos fazer as fotografias com a família. Esperem alguns minutos antes de seguir para a recepção.”
Pronto.
Apesar de parecer um detalhe, mas evita boa parte dos atrasos. Guias de planejamento recomendam exatamente comunicar previamente quem participará das fotografias, porque procurar familiares depois que eles se dispersam costuma ser o maior consumidor de tempo.
Escolha alguém que conheça as duas famílias
Além disso, existe uma ajuda muito eficiente.
O fotógrafo conhece vocês.
No entanto, provavelmente não conhece o tio Roberto, a avó Helena e a prima que chegou de Brasília.
Ter uma pessoa da família ou da assessoria ajudando a chamar quem entra na próxima fotografia acelera bastante o processo. Essa função de reunir as pessoas é recomendada por diferentes fotógrafos justamente porque reduz o tempo perdido entre uma configuração e outra. citeturn0search1turn0search6
Enquanto estou fotografando um grupo, a próxima combinação já pode estar sendo preparada.
Assim, a sessão flui.
Precisamos fazer essas fotos no altar?
Não.
Em alguns casos, o altar é o melhor lugar.
Em outros, não é.
Nesse sentido, em casamentos na igreja, precisamos considerar a arquitetura, iluminação, regras do templo e, principalmente, aquilo que acontecerá depois da cerimônia.
Pode existir uma missa na sequência.
A equipe da igreja pode precisar organizar o espaço.
Os convidados podem estar bloqueando a saída.
Por isso, em algumas situações, existe um ambiente lateral muito melhor.
Já em outras, vale fazer parte das fotografias na recepção.
Um fotógrafo acostumado com casamento religioso precisa entender que a igreja não é um estúdio alugado para a fotografia.
Afinal, a celebração vem primeiro.
E os retratos espontâneos da família?
São outra coisa.
Por isso, quero os dois.
De um lado, quero a fotografia dos noivos com os pais olhando para a câmera.
Por outro lado, também quero a mãe abraçando a filha quando ninguém pediu.
Também quero o pai observando os dois durante a cerimônia.
Além disso, quero os avós conversando na recepção.
Por fim, quero os irmãos rindo juntos.
Assim, a fotografia formal registra quem estava ali.
A fotografia documental ajuda a lembrar como aquelas pessoas viveram o dia.
Portanto, uma não precisa substituir a outra.
Na verdade, quando as duas convivem, a história fica muito mais completa.

Uma lista de fotos não deveria transformar o fotógrafo em um conferente
Ainda assim, existe um limite.
Eu gosto de receber uma lista das fotografias familiares importantes.
Não gosto de trabalhar o casamento inteiro conferindo uma lista de centenas de imagens.
“Buquê: feito.”
“Aliança: feito.”
“Noiva olhando pela janela: feito.”
“Padrinhos brindando: feito.”
Por isso, esse tipo de checklist pode fazer o fotógrafo deixar de observar justamente aquilo que está acontecendo diante dele.
Em resumo, a lista deve servir para aquilo que não temos como adivinhar.
Quem são as pessoas essenciais.
Quais relações familiares merecem atenção.
Qual fotografia possui um significado particular para vocês.
O restante é trabalho do fotógrafo.
Minha sugestão para uma noiva que está montando essa lista
Para começar, abra uma página em branco.
Não procure primeiro um checklist no Pinterest.
Escreva os nomes das pessoas que vocês imaginam presentes nas fotografias que gostariam de mostrar aos filhos daqui a muitos anos.
Primeiro, comece pelos pais.
Irmãos.
Avós.
Em seguida, pense nas relações particulares da história de vocês.
Por exemplo, talvez exista uma tia que praticamente criou você.
Além disso, talvez um amigo tenha se tornado família.
Por fim, talvez vocês queiram uma fotografia com quatro gerações reunidas.
Essas informações são muito mais úteis para mim do que uma lista genérica de cinquenta poses.
Depois, podemos organizar as combinações de forma eficiente.
Assim, fazemos as fotografias que realmente importam e vocês seguem para aquilo que vieram fazer:
viver o casamento.
Conclusão
Em resumo, as fotos com pais, avós, irmãos e padrinhos não precisam ocupar quarenta minutos nem transformar o final da cerimônia em uma maratona.
Ao mesmo tempo, não precisam desaparecer em nome de uma fotografia completamente espontânea.
Por isso, existe um meio-termo muito mais interessante.
Primeiro, planejamos aquilo que não pode faltar.
Em seguida, organizamos as pessoas.
Depois, fotografamos com calma e eficiência.
Por fim, deixamos a vida acontecer.
De fato, algumas das fotografias mais valiosas de um casamento serão cuidadosamente organizadas diante da câmera.
Ao mesmo tempo, outras acontecerão em um segundo, quando ninguém estiver pensando nela.
Portanto, uma boa cobertura precisa estar preparada para as duas.
Vamos conversar?
Se vocês estão planejando um casamento em Goiânia ou em outra cidade de Goiás e querem uma cobertura que preserve tanto os momentos espontâneos quanto os retratos importantes da família, será um prazer conversar sobre o casamento de vocês. Antes do dia, podemos organizar juntos aquilo que realmente merece atenção para que, quando a cerimônia chegar, vocês não precisem administrar fotografias, apenas viver o que está acontecendo.


